Pirâmides da Amazônia: Revelações de Cidades Antigas Sob a Floresta

 

Por séculos, a Amazônia foi descrita como uma região praticamente intocada pelo ser humano antes da chegada dos colonizadores europeus, ocupada apenas por pequenos grupos nômades. No entanto, essa visão vem sendo profundamente revisada a partir de evidências arqueológicas acumuladas nas últimas décadas. Segundo Michael Heckenberger e colaboradores, em estudo publicado na revista Science (2008), populações pré-colombianas desenvolveram formas complexas de ocupação do território amazônico, incluindo assentamentos planejados, manejo intensivo da paisagem e estruturas monumentais.

Descobertas recentes reforçam essa revisão histórica. De acordo com Prümers et al. (2022), em artigo publicado na revista Nature, levantamentos realizados com tecnologia LIDAR (Light Detection and Ranging) na região dos Llanos de Mojos, no sudoeste da Amazônia boliviana, revelaram uma extensa rede urbana pré-hispânica. Esses assentamentos incluíam pirâmides de terra com até 22 metros de altura, plataformas cerimoniais, estradas elevadas, canais e reservatórios de água, interligando dezenas de núcleos populacionais.

A tecnologia LIDAR foi essencial para essas descobertas. Conforme explicam Prümers e colegas (2022), o método permite “remover virtualmente” a cobertura vegetal densa, revelando o relevo artificial do solo. Essa abordagem mostrou que estruturas consideradas inexistentes eram, na verdade, invisíveis a olho nu, ocultas pela floresta ao longo de séculos.

Além das pirâmides, os pesquisadores identificaram terraços agrícolas, sistemas hidráulicos sofisticados e vias de conexão entre assentamentos. Segundo Clark Erickson (2008), essas estruturas indicam um modelo de urbanismo tropical de baixa densidade, adaptado a ambientes sazonalmente alagados. Esse tipo de ocupação permitia agricultura intensiva, cultivo de alimentos como milho e mandioca, além do manejo de recursos aquáticos, incluindo criação de peixes e tartarugas.

O tamanho e a complexidade desses assentamentos desafiam a ideia de sociedades simples. Iriarte et al. (2020), no Journal of Archaeological Science, destacam que alguns desses centros ocupavam centenas de hectares e exigiam trabalho coletivo organizado, planejamento territorial e conhecimento avançado de engenharia e topografia.

Essas evidências também transformam a compreensão da ecologia amazônica. Durante muito tempo, acreditou-se que os solos pobres da região impossibilitariam agricultura em larga escala. No entanto, como aponta Denise Schaan (2011), os povos amazônicos desenvolveram técnicas sofisticadas de manejo do solo e da água, criando paisagens antropogênicas produtivas que influenciaram diretamente a composição atual da floresta.

Dessa forma, as chamadas “pirâmides da Amazônia” não são anomalias isoladas, mas parte de sistemas urbanos complexos. Como conclui Heckenberger et al. (2008), a Amazônia pré-colombiana foi palco de sociedades altamente organizadas, capazes de moldar o ambiente de maneira sustentável e planejada. Essas descobertas não apenas reescrevem a história da região, mas também ampliam o entendimento sobre as múltiplas formas de urbanismo humano em ambientes considerados desafiadores.

Judhyy Telles

Fontes:

  1. Heckenberger, M. J., et al. (2008). Pre-Columbian urbanism, anthropogenic landscapes, and the future of the Amazon. Science, 321(5893), 1214–1217.

  2. Prümers, H., Betancourt, C. J., Iriarte, J., Robinson, M., & Schaich, M. (2022). A Pre-Hispanic urban network in the Bolivian Amazon revealed by LiDAR. Nature, 606(7913), 325–328.

  3. Schaan, D. P. (2011). Sacred Geographies of Ancient Amazonia: Historical Ecology of Social Complexity. Routledge.

  4. Erickson, C. L. (2008). Amazonia: The historical ecology of a domesticated landscape. In Silverman & Isbell (Eds.), The Handbook of South American Archaeology. Springer.

  5. Iriarte, J., Robinson, M., et al. (2020). Geometry and complexity in pre-Columbian urbanism in the Amazon Basin. Journal of Archaeological Science, 117, 105119.

 

 

 

Meu nome é Judithe,  paulistana, fonoaudióloga.  Passei a me interessar muito pela Ufologia após alguns ocorridos que tornaram minha vida um tanto diferente. As pessoas dizem que mudei muito de uns anos para cá, minha personalidade foi totalmente modificada.

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