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5 – Noções básicas de análise de imagens e vídeos – Naves camufladas ou Nuvens?

Neste post, resolvemos fazer um especial somente sobre alguns tipos de nuvens e como elas podem se assemelhar a supostas camuflagens para naves alienígenas mas que, na realidade, são apenas fenômenos naturais presenciados desde sempre.

Ora, esta autora tem a certeza de que os extraterrestres, caso precisassem transitar pela nossa terceira dimensão, seguramente tomariam algumas precauções para não serem percebidos pela multidão o que, muito provavelmente, causaria pânico desnecessário.

Desse modo, me parece lógico que tecnologias capazes de transpor distâncias inimagináveis, para nós, certamente também seriam capazes de produzir efeitos de camuflagem adequados, de modo a passarem desapercebidos. Portanto, não faria sentido algum que naves, ao se esconderem, mantivessem seus formatos originais discoides, como abaixo:


Nave camuflada? Crédito: hypeness.com

A imagem acima certamente lembra uma nave clássica discoide “adâmica” (em homenagem a George Adamski, pioneiro em fotografar supostas naves), aparentemente “camuflada” como nuvem, mas será mesmo uma nave? Será que não haveria outra explicação?

Sim, não é uma nave camuflada e a explicação é bem simples: trata-se de uma nuvem lenticular, extremamente bela e bastante comum. Nos tópicos abaixo falaremos um pouco sobre esse tipo e algumas outras formações de nuvens que nos remetem à aparência de naves ou OVNIs, mas que representam fenômenos meteorológicos absolutamente explicáveis pela ciência.

Nuvens lenticulares

Frequentemente confundidas com OVNIs, as Nuvens Lenticulares são formações estacionárias de nuvens que se formam em altitude.
São incrivelmente bonitas, às vezes observadas também no topo de montanhas ou de colinas, permanecendo imóveis e podendo “pairar” sobre uma montanha por vários dias, até que o vento ou outras condições climáticas as dispersem.

Obviamente que não se tratam de “naves extraterrestres camufladas”, pois, conforme comentei acima, seria uma camuflagem nada adequada, já que manteria justamente o formato da nave, não acham?

Abaixo, nuvens que chamaram atenção de moradores do Vale do Paraíba, em 2017:


Nuvens Lenticulares no Vale do Paraíba, em 2017
(Crédito: Rodrigo Alves/ Vanguarda Repórter)

Vejamos mais alguns exemplos:


Nuvem lenticular. (Crédito: farbitis.ru)



Nuvem lenticular. (Crédito: hypeness.com)



Nuvem lenticular. (Crédito: hypeness.com)



Nuvem Lenticular. (Crédito: Pinterest)



Nuvem lenticular. (Crédito: hypeness.com)

Nuvem Lenticular com imagem capturada em 15/6/2020 em Milborne Wick, Somerset, UK. (Crédito: Amy Whitewick em cloudappreciationsociety.org)

 

Nuvem Mammatus

O nome faz referência a “mamas” ou “seios”. As Nuvens Mammatus são também conhecidas por mamma ou mammatocumulus, e se apresentam com um padrão de “bolsas” na parte inferior de outras nuvens, com extensão de até 3 quilômetros e altitude que pode chegar a 500 metros, sendo compostas por gelo, água ou, ainda, uma mistura destes elementos.

Ao contrário da maioria das nuvens, são formadas por ar ascendente, com ocorrência mais frequente antes da passagem de grandes tempestades. Não são orbs nem frotas de naves extraterrestres, ok? Vamos aos exemplos:


Nuvens Mammatus. (Crédito: Craig Lindsay – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0 https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=20052822)



Nuvem Mammatus, em foto tirada em Minnesota , em 2005. (Crédito: Zachary Hauri (Wikimedia Commons))



Nuvem Mammatus, foto tirada em Tulsa, Oklahoma, USA, em 2/6/1973. (Crédito: NOAA Photo Library and NSSL)



Nuvem Mammatus. (Crédito: Pinterest)



Nuvem Mammatus, foto tirada em Nebraska. (Crédito: Jorn C. Olson)


Nuvem Mammatus, foto tirada na Bélgica em 4/5/2020. (Crédito: Tomkey em cloudappreciationsociety.org)

 


Nuvens Supercélulas

Podem se formar em qualquer região da Terra, mas são mais comumente vistas nos Estados Unidos. São gigantescas nuvens de tempestade que se assemelham a um cogumelo nuclear.

Elas se formam quando uma corrente de ar frio descendente se encontra e entra numa corrente de ar ascendente, causando grandes nuvens com formação curiosa e grandes tempestades.

Confiram a beleza singular e amedrontadora dessas formações:


Nuvem Supercélula em foto tirada no Chaparral, em 3/4/2004. (Crédito: Greg Lundeen (Wikimedia Commons))


Nuvem Supercélula registrada em Wyoming em 18/5/2014.

(Crédito: Basehunters Chasing /apod.nasa.gov)



Nuvem Supercélula em imagem registrada próximo ao Texas, em 21/5/2012.

(Crédito: hyperscience.com)



Nuvem Supercélula formada em Laguna – SC. (Crédito: Ronaldo Amboni)



Nuvem Supercélula. (Crédito: lumeear.blogspot.com)



Nuvem Supercélula com raios. (Crédito: Pinterest/ tonightssky.org)


Shelf Cloud ou Nuvem Prateleira

Shelf Cloud ou Nuvem Prateleira trata-se de uma rara formação de nuvem, baixa, extremamente densa e horizontal e que se forma exatamente abaixo de uma grande nuvem Supercélula, conforme vimos acima. Geralmente é causadora de fortes chuvas, ventos, raios, granizo, e até mesmo tornados.

Vejamos alguns exemplos:


Shelf Cloud em Itaocara – RJ. (Crédito: Folha Itaocarense/ Leitor/ WhatsApp)



Shelf Cloud na Praia do Campeche em Florianópolis.

(Crédito: Reprodução/NSC TV)



Shelf Cloud em Abelardo Luz. (Crédito: Bruno Dalabetta/Divulgação/ND)



Shelf Cloud em São Domingos. Crédito: Rádio Rainha das Quedas/Divulgação/ND


Nuvem de Rolo, Nuvem Glória da Manhã ou Morning Glory Cloud

Chamadas às vezes de “nuvens de rolo”, ou “nuvem em formato de onda”,  as Nuvens Glória da Manhã são um fenômeno meteorológico muito raro, no qual se forma uma ou mais espécies de “rolo” gigantesco a baixa altitude, de até 200 metros, com espessura em torno de 1000 metros de comprimento por até 2000 metros de largura, deslocando-se em velocidade de até 60 km por hora.

Há algumas teorias que tentam explicar o fenômeno, e a mais aceita é que os rolos se formam do choque de correntes de vento em direções contrárias, dentro de algumas condições específicas de temperatura e umidade e ocorrendo de forma contínua, durante horas.

Certa vez, ouvi um conhecido defender a tese de que essas formações seriam “camuflagem para a passagem de naves extraterrestres”. Às vezes, as pessoas gostam de complicar as explicações, não acham?

Bom, vejamos algumas imagens dessas nuvens:

Nuvem Glória da Manhã. (Crédito: curiososabio.com.br)



Nuvem Glória da Manhã. (Crédito: fenomenosr.blogspot.com)



Nuvem Glória da Manhã. (Crédito: fenomenosr.blogspot.com)



Nuvem Glória da Manhã. (Crédito: fenomenosr.blogspot.com)



Nuvem Glória da Manhã. (Crédito: hypescience.com)



Nuvem Glória da Manhã, em registro realizado em São Conrado – RJ. Crédito: Jorge Ricardo (Facebook)


Irisação, Nuvens Iridescentes, Arco-íris de fogo, Arco Circum-horizontal

A iridescência, ou seja, a série de reflexos brilhantes coloridos da luz, que percebemos nos arco-íris, na madrepérola, em bolhas de sabão, etc, é causada pela difração da luz, que transpassa gotículas d´água e de cristais de gelo presentes nas nuvens e se divide em belas cores.

Segundo Samantha, do site Meteoropole, “as nuvens iridescentes não são um tipo especial de nuvens (como as nuvens mesosféricas ou nuvens noctilucentes): são apenas nuvens que sofreram o processo de iridescência, independentemente de sua classificação, embora o fenômeno normalmente é observado associado a nuvens altocumulus, cirrocumulus, cirrus e nuvens lenticulares”.

É um fenômeno não muito comum, mas perfeitamente explicado, ou seja, não se trata de algo paranormal ou referente a naves extraterrestres.

Vejamos alguns exemplos do fenômeno:


Nuvem iridescente, capturada sobre o sul da Flórida, nos Estados Unidos. (Crédito: Hyperscience.com)



Nuvem iridescente ocorrida no dia 31 de dezembro de 2013, por volta das 17 horas, no balneário gaivotas, em Itanhaém.

(Crédito: Fernando Vrech (Creative Commons))



Imagem registrada em Palmas – TO – Brasil na manhã do dia 23/04/2017. (Crédito: Eduardo Silva Ries (Creative Commons))



Nuvens iridescentes a partir de um avião sobrevoando o Quênia. Foto de 13/11/2013, feita por Martin Popek (Twitter)


Fenômeno semelhante é o que ocorre com arco-íris de fogo ou arcos circum-horizontais, que formam faixas de cores semelhantes aos arco-íris, entretanto paralelas ao horizonte, não devendo ser confundido com a nuvem iridescente.

Ele é, na verdade, um halo similar em aparência a um arco-íris, horizontal, causado pela refração através de cristais de gelo ou água líquida, como na imagem abaixo:



Arco Circum-horizontal. Imagem registrada em Bom Jardim de Minas – MG, em 4/2/2016. (Crédito: Rodolfo Amaro (Flickr.com))

Vejam mais fotos lindas neste site: http://www.ideafixa.com/oldbutgold/13-fotos-do-raro-fenomeno-natural-de-nuvens-iridescentes


Nuvem “perfurada” ou hole punch cloud

Finalmente, um fenômeno meteorológico sensacional e raro, no qual se forma um tipo de “buraco” nas nuvens, como se uma “grande nave-mãe tivesse acabado de passar por lá”, ou então, como alguns defendem, “uma nave gigante camuflada”, ou, ainda, como um “Portal Interdimensional”:

Hole Punch Cloud na Austria, imagem capturada em 17/8/2008. (Crédito: H. Raab (Wikimedia Commons))

Também conhecido por Fallstreak Holes, Cloud Holes, etc, esse fenômeno dá origem a um grande buraco elíptico ou circular, ocorrendo principalmente em nuvens do tipo cirrocumulos ou altocumulus.

Neste fenômeno, quando os cristais de gelo se formam, um efeito dominó é acionado devido ao processo de Bergeron, fazendo com que as gotículas de água ao redor dos cristais se evaporem: isso deixa um buraco grande, geralmente circular, na nuvem (Wikipedia).

Outra explicação interessante seria que, quando as partículas de gelo se condensam, acabam “caindo” e deixando o buraco arredondado. De qualquer modo, o buraco cresce muito rapidamente, levando alguns incautos a confundirem o fenômeno com naves extraterrestres.

Vejamos alguns exemplos:

Hole Punch Cloud em imagem capturada em Beer, Devon, UK, em 10/6/2020 (Crédito: Graham Looker em cloudappreciationsociety.org)


Hole Punch Cloud em imagem capturada em Warr Acres, Oklahoma City, em 2/1/2010 (Crédito:  Paul Franson (Wikimedia Commons))


Hole Punch Cloud. (Crédito: hipercultura.com)


Hole Punch Cloud, que também lembra um tipo de “Portal”. Imagem capturada em Stockton, na Califórnia, em maio de 2014. (Crédito: Daily Mail)


Hole Punch Cloud, imagem capturada nos Emirados Árabes Unidos em 17/3/2019. Crédito: (Reprodução/Vídeo/Twitter/Ebrahim Al Jarwan)


Mas vocês não acreditam em nada, então?

Lógico que acreditamos! E, no meu caso, particularmente, quem me conhece sabe da minha dedicação ao estudo dos fenômenos ditos “supranormais”, dentre os quais se encaixa a Ufologia.

Porém, como diz uma das administradoras do UIB, “ter um pé no ceticismo é sempre saudável”, ou seja, não devemos acreditar em qualquer coisa que nos apresente. É necessário, cada vez mais, que busquemos conhecimento (opa, essa frase é de um suposto “extraterrestre famoso”!) para obtermos as ferramentas necessárias para a análise e estudo dos fenômenos ufológicos de uma forma lógica, coerente e, sempre que possível, baseados em metodologia e conhecimentos científicos, e é justamente o que estamos tentando fazer, com esta série de artigos sobre a análise de imagens, descartando, primeiramente, aquelas que apresentam explicação razoável, para, finalmente, nos concentrarmos nas que podem nos levar a representações genuínas do fenômeno.

Nos próximos artigos continuaremos a apresentar mais algumas ocorrências de fenômenos elétricos, rastros de condensação, círculos ou anéis de fogo, balões, pipas com led, interpretações errôneas, fraudes, etc.

Finalizando, gostaria de lembrar, novamente, que não faz parte dos objetivos do Grupo de Estudos Ufologia Integral Brasil – UIB – analisar imagens ou vídeos; os artigos fornecem apenas orientações iniciais sobre o assunto, de modo que cada um possa realizar seus próprios estudos e análises.

Fontes:

FaTaMoRGaNa tem 49 anos e trabalha em Governança de TIC. Desde pequena sempre acreditou, ou melhor, sempre teve a CERTEZA da existência de vida fora do planetinha azul. A obra de Deus é infinita e não iria se restringir ao que nossos olhos conseguem enxergar. Já presenciou luzes e objetos não identificados, mas espera um dia perder o medo para conseguir uma experiência de contato mais concreta.

Importante: o conteúdo, os fatos e as opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor(a) e não refletem, necessariamente, a opinião dos administradores do UIB.

Equipe UIB

 

2 – Noções básicas de análise de imagens e vídeos – sujeiras, reflexos e lens flare

No primeiro post, falamos da importância em se utilizar a metodologia e o conhecimento científicos para o estudo dos fenômenos ufológicos e apresentamos algumas dicas para quem vai fotografar ou filmar, além de um guia básico para a análise de fotos ou vídeos:

Levantamento de possíveis causas naturais ou explicáveis, como planetas ou estrelas, chuva de meteoros, aeronaves, drones, balões, sinalizadores, nuvens, relâmpagos, pássaros, insetos, refrações da luz em partículas suspensas no ar ou nas lentes das câmeras, faróis, luzes em torres;

Obtenção de informações complementares, como data, hora, local, possibilidade de eventos fortuitos como festas, exercícios militares, etc., e, finalmente,

– A análise das imagens ou vídeos propriamente dita, utilizando softwares específicos, como Adobe Photoshop, Premiere ou outros.

Neste artigo, abordaremos como a sujeira, gotas d’ água, distorções da luz devido a, por exemplo, a reflexos, além de algumas situações específicas, podem, mais do que imaginamos, nos levar a erros de interpretação.

Conforme já dissemos, ufólogos como Toni Inajar afirmam que, infelizmente, 99% das imagens analisadas possuem explicação lógica. No entanto, aqueles 1% realmente instigam nossa imaginação e fascinam a todos os apaixonados pelo assunto. Bora, então, aprender a separar o joio da jóia, quero dizer, do trigo!

“Quando tirei a foto, não percebi nada, somente quando olhei depois!”

É muito comum pessoas fotografarem uma cena absolutamente comum, uma paisagem e, somente depois, perceberem que existe algum objeto “intruso” onde não deveria estar, sendo imediatamente reportado como um “OVNI”. Um olhar mais atento ao suposto intrometido e, principalmente, ao cenário, permite-nos investigar a ocorrência e concluir, na grande maioria dos casos, se tratar de algo perfeitamente explicável, como sujeiras ou gotas d’ água nas lentes das câmeras ou nas vidraças do local, conforme constataremos nos exemplos abaixo.

Gotas d´água nas lentes das câmeras fotográficas ou nos vidro

A imagem abaixo causou alvoroço na internet, há algum tempo, quando passaram a divulgar que as câmeras do Google Maps haviam tirado foto de um OVNI! Confira abaixo a foto, originalmente disponível em https://maps.app.goo.gl/xYCqa8ePfryixafaA (acessado em 13/5/2020):

Fonte: Google Maps

Veja o que aparece bem no centro da imagem acima, claramente uma gota d’ água nas lentes da câmera.


Abaixo, outro caso interessante, reportado ao BUFORA:

Fonte: bufora.org.uk

Olhando atentamente para a fotografia acima, podemos ver que existem inúmeras reflexões e até podemos ler a hora e a data na reflexão do comprovante de estacionamento no painel do carro, comprovando ter sido a foto tirada de dentro do carro, por detrás de uma janela de vidro. O objeto no centro, contudo, aparenta ser realmente uma gota d água. Especial atenção ao lago ou oceano próximo.

Abaixo, outra imagem enviada ao BUFORA para análise:

Fonte: bufora.org.uk

A fotografia acima foi obviamente tirada através do parabrisa de um carro e mostra, um pouco abaixo de sua região central, algo que poderia ser interpretado como um OVNI. Porém, o cenário revela nuvens carregadas de chuva e, embora não pareça estar chovendo, é provável que algumas gotas já tenham se antecipado a cair.


Abaixo, mais um caso que, a princípio, causaria talvez dúvidas, tirada por uma pessoa membro do nosso grupo de estudos:

Fonte: WhatsApp

Questionada, a pessoa confirmou que a foto foi tirada de dentro de um veículo. Nota-se a gota d’ água, em formato alongado, e seu rastro.


Sujeira nas vidraças

A foto abaixo foi tirada em 2015 no Aeroporto de Fortaleza e também causou bastante confusão no meio ufológico:


Fonte: WhatsApp

Ampliação da foto anterior. Fonte: WhatsApp

Porém, caso fosse um objeto realmente grande, pairando sobre o aeroporto, certamente outras pessoas teriam tirado foto (o que não ocorreu) e, quem sabe, até os radares o teriam registrado. Observem o cenário: a vidraça apresenta vários pequenos rastros semelhantes, denotando tratar-se do mesmo tipo de material, ou seja, sujeira.


Abaixo, mais um caso reportado à BUFORA:

Fonte: bufora.org.uk

Acima, nota-se que a fotografia foi tirada através de uma janela com defeito de fabricação e sujeira aderida ao vidro.


Reflexos em vidraças ou vidros

A reflexão da luz, a grosso modo, é um fenômeno óptico que acontece quando a luz incide numa superfície refletora e se propaga conforme seu ângulo de incidência.

Quanto mais plana a superfície, mais a reflexão é regular, sendo os feixes de luz refletidos bem definidos. Um bom exemplo seriam os espelhos; entretanto, vidraças de edifícios ou de veículos costumam também refletir parte das luzes, causando bastante confusão entre os neófitos na ufologia, como veremos nos exemplos a seguir.

A fotografia abaixo foi tirada por esta autora, em 2019, em testes de demonstração sobre o fenômeno de reflexos em vidraças:

Foto: Fatamorgana

O interessante é que o reflexo aparenta estar por detrás da grade, o que poderia causar certa confusão de interpretação.


A imagem abaixo foi tirada recentemente no Terminal Intermodal de Maringá:

Fonte: Facebook

Olhando atentamente, percebe-se o reflexo de spots de led sendo refletidos na vidraça interna do local.



Fonte: tudointeressante.com.br

Nesta foto acima, novamente, observa-se o reflexo de luminárias em formato de disco.


Abaixo, foto tirada de dentro de avião comercial e enviada à BUFORA, para análise:

Fonte: bufora.org.uk

Na foto acima, a testemunha reporta ter fotografado três “OVNIs em forma de esfera ou Orbs”, pela janela do avião. Nesse caso, possivelmente a luz do sol entrou pela janela, refletiu-se em algo dentro do avião e retornou para a janela, refletindo-se novamente na parte interna das paredes duplas e causando essa impressão.

Vejam mais casos em https://bufora.org.uk/Reflecting-on-UFO-Images.php


Lens Flare

Lens Flare, em tradução livre “reflexo da lente”, é uma aberração óptica, um erro, causado pelo desvio da luz que passa através daquele sistema ótico, em decorrência de reflexões internas e de imperfeições materiais das lentes.

Assim, a luz se desvia e acaba não convergindo para os pontos “corretos”, produzindo artefatos indesejados na imagem. Acontece, principalmente, em resposta a fontes de luz muito brilhantes.

Lentes com “zooms” tendem a exibir maior reflexos de lente, pois contêm um número relativamente grande de interfaces nas quais a dispersão interna pode ocorrer. Esses mecanismos diferem do mecanismo de geração da imagem focada, que depende dos raios da refração da luz do próprio objeto.

Os fabricantes necessitam prever formas de corrigir esses sistemas ópticos, de modo a compensar tais aberrações, mas isto eleva, e muito, o preço das lentes. Assim, a maioria das câmeras está sujeira ao Lens Flare.

Algumas pessoas pensam tratar-se de “orbs” (tipo de sondas luminosas extraterrestres). Vimos que, na realidade, aberrações ópticas são extremamente comuns e explicam facilmente o fenômeno. Abordaremos especificamente os “orbs” nos próximos tópicos.

Perceba que a bola de luz também pode se movimentar, conforme a câmera se movimenta também, obedecendo, por exemplo, aos movimentos da mão que segura a câmera.

Notem como uma fonte de luz forte pode reproduzir o fenômeno:

Esquema de Lens Flare. Fonte: Wikipedia

 



Exemplo da formação de um ponto “extra” causado por Lens Flare.

Fonte: Wikipedia


Mais exemplos de Lens Flare:

Fonte: Wikipedia


Fonte: WhatsApp


Fonte: Internet


Lens Flare com arco-íris duplo. Fonte: Twitter



Fonte: WhatsApp


Fonte: WhatsApp


Fonte: WhatsApp


Agora, um caso bem interessante. A imagem abaixo foi enviada em nosso grupo:

Fonte: WhatsApp

Notam-se várias luzes nos céus. Nossos olhos atentos rapidamente perceberam que as luzes eram, na verdade, reflexos nas lentes internas da câmera. Verifiquem que os padrões se repetem, de forma inversa:

Fonte: WhatsApp


Outra análise, feita em grupo de WhatsApp, por Toni Inajar:

Nesta primeira foto, notam-se quatro luzes no céu:

Fonte: WhatsApp

Em seguida, Toni realizou a medição utilizando ferramentas simples de edição de imagem e constatou, utilizando as leis da física, que as tais luzes no céu possuíam a mesma distância e angulação, referente ao ponto central, das luzes abaixo da foto, ou seja, são realmente um reflexo. Daí a importância em se analisar a imagem original, sem zoom e sem cortes, de modo a ser possível determinar o “ponto central” da mesma, a partir do qual o estudo é feito.

Fonte: WhatsApp

Para fechar com chave de ouro, copiou as luzes da parte inferior, as inverteu e comparou com as luzes do céu:

Fonte: WhatsApp


Outra análise de foto by Toni Inajar:

Fonte: WhatsApp

A técnica que Toni nos ensina deve ser realizada na imagem em tamanho original e consiste em:

  • identificar o ponto central da foto (vide linhas vermelhas);
  • criar uma linha entre o objeto mais luminoso e o “orb” (vide a linha amarela);
  • verificar que esta linha amarela passa pelo centro da imagem;
  • verificar que a distância entre o ponto mais luminoso e o “orb”, a partir do centro da imagem, é idêntico.

De certa forma, podemos afirmar que existe uma certa similaridade entre a pesquisa do ufólogo e o inquérito policial. Não é à toa que Toni Inajar Kurowski, considerado um dos mais importantes especialistas em exame de fotos e filmes de discos voadores, é perito criminal do Instituto da Polícia Civil do Paraná e coordena o Grupo de Análises de Imagens da Revista UFO, da qual também é coeditor. É isso aí, nada melhor do que aprender com o melhor especialista brasileiro em análise de imagens, quiçá do mundo!


Mas tudo tem explicação então? Não existem OVNIs?

Lembremos, entretanto, que, apesar de a maior parte das imagens de supostos OVNIs possuírem explicações lógicas, há aqueles 1% de imagens ou vídeos inconclusivos, e é para isso que estamos aqui! Nem tudo é sujeira ou reflexo nos vidros, Lens Flare, Orb, Rod, Blurfo, Drone, Balão, etc.. Mas, como estudiosos ou pesquisadores, temos a obrigação moral de analisar cada imagem.

Há milhares de registros de objetos voadores não identificados capturados em fotos ou filmes cujas análises são inconclusivas e podem SIM, talvez, se referirem a naves espaciais reais.

Nos próximos posts, continuaremos a detalhar a identificação de possíveis causas naturais. No próximo artigo abordaremos os Black Spots, Orbs, Rods e Blurfos.

Finalizando, gostaria de lembrar, novamente, que não faz parte dos objetivos do Grupo de Estudos Ufologia Integral Brasil – UIB – analisar imagens ou vídeos; os artigos fornecem apenas orientações iniciais sobre o assunto, de modo que cada um possa realizar seus próprios estudos e análises.

Fontes:
https://bufora.org.uk
https://fotografiamais.com.br/diafragma-camera/

FaTaMoRGaNa tem 49 anos e trabalha em Governança de TIC. Desde pequena sempre acreditou, ou melhor, sempre teve a CERTEZA da existência de vida fora do planetinha azul. A obra de Deus é infinita e não iria se restringir ao que nossos olhos conseguem enxergar. Já presenciou luzes e objetos não identificados, mas espera um dia perder o medo para conseguir uma experiência de contato mais concreta.

Importante: o conteúdo, os fatos e as opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor(a) e não refletem, necessariamente, a opinião dos administradores do UIB.

Equipe UIB